segunda-feira, 2 de maio de 2016


                                                                  Viver o Pentecostes

“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (...) Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 21.22): diz-nos Jesus. A efusão do Espírito, que tivera lugar na tarde da Ressurreição, repete-se no dia de Pentecostes, corroborada por sinais visíveis extraordinários. Na tarde de Páscoa, Jesus aparece aos Apóstolos e sopra sobre eles o seu Espírito (cf. Jo 20, 22); na manhã de Pentecostes, a efusão acontece de forma estrondosa, como um vento que se abate impetuoso sobre a casa e irrompe na mente e no coração dos Apóstolos. Como resultado, recebem uma força tal que os impele a anunciar, nas diferentes línguas, o evento da Ressurreição de Cristo: «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas» (Act 2, 4). Juntamente com eles, estava Maria, a Mãe de Jesus, a primeira discípula, e ali se torna Mãe da Igreja nascente. Com a sua paz, com o seu sorriso, com a sua maternidade, acompanhava a alegria da jovem Esposa, a Igreja de Jesus.
             O Papa Francisco numa reflexão sobre a ação do Espírito na vida da Igreja e consequentemente na nossa vida nos diz que:
           “O Espírito Santo nos ensina: é o Mestre interior, nos guia pelo caminho certo, através das situações da vida. Ele nos ensina a estrada, o caminho. Nos primeiros tempos da Igreja, o cristianismo era chamado “o caminho” (cfr At 9, 2) e o próprio Jesus é o Caminho. O Espírito Santo nos ensina a segui-lo, a caminhar seguindo seus passos. Mais que um mestre de doutrina, o Espírito Santo é um mestre de vida.
           O Espírito Santo nos recorda tudo aquilo que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. E enquanto nos faz recordar, nos faz entender as palavras do Senhor e assim entramos mais plenamente no sentido das suas palavras. E as palavras de Jesus se tornam em nós vida, se tornam atitudes, escolhas, gestos, testemunho. Em essência, o Espírito nos recorda o mandamento do amor e nos chama a vivê-lo.
            O Espírito Santo nos faz falar, com Deus e com os homens. Não há cristãos mudos, mudos de alma; não há lugar para isto. Faz-nos falar com Deus na oração. E o Espírito nos faz falar com os homens no diálogo fraterno. Ajuda-nos a falar com os outros reconhecendo neles os irmãos e as irmãs; a falar com amizade, com ternura, com brandura, compreendendo as angústias e as esperanças, as tristezas e as alegrias dos outros. ”
            E o Papa conclui: “O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo. Para além de falta de liberdade, o fechamento ao Espírito Santo é também pecado. Há muitas maneiras de fechar-se ao Espírito Santo: no egoísmo do próprio benefício, no legalismo rígido – como a atitude dos doutores da lei que Jesus chama de hipócritas –, na falta de memória daquilo que Jesus ensinou, no viver a existência cristã não como serviço, mas como interesse pessoal, e assim por diante. Ao contrário, o mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos, dos dons do Espírito Santo, como elenca São Paulo: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gal 5, 22). O dom do Espírito Santo foi concedido em abundância à Igreja e a cada um de nós, para podermos viver com fé genuína e caridade operosa, para podermos espalhar as sementes da reconciliação e da paz. Fortalecidos pelo Espírito e por estes múltiplos dons, tornamo-nos capazes de lutar contra o pecado, de lutar contra a corrupção que dia a dia se vai estendendo sempre mais no mundo, e dedicar-nos, com paciente perseverança, às obras da justiça e da paz.”
                                                                                                                    Pe. Osmair José Prestes



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