sexta-feira, 5 de maio de 2017
Tempo Pascal – Tempo Mistagógico
É com grande alegria e com o espírito da presença do Cristo ressuscitado que escrevo, pela primeira vez, para este boletim mensal intitulado “Nosso Encontro”, como Diretor espiritual do Apostolado da Oração da nossa Arquidiocese.
Gostaria de expressar a gratidão a Deus e à Igreja que na Voz do nosso Arcebispo Dom José Antônio Peruzzo me chamou para continuar os trabalhos espirituais já desenvolvidos por tantas pessoas devotas do Sagrado Coração de Jesus.
O momento que vivemos na nossa liturgia é o tempo da Páscoa. Acompanha-nos um símbolo preparado na grande Vigília, o Círio Pascal, e estamos num período de ampla catequese mistagógica.
Aproveitemos este “Nosso Encontro” mensal para aprofundarmos as riquezas simbólicas deste precioso tempo.
Entre todos os simbolismos que derivam da luz e do fogo, O CÍRIO PASCAL é a expressão mais forte por sua riqueza de significados. Diz o Documento Paschalis Sollemnitatis, 82: “Prepare-se o círio pascal que, no respeito da veracidade do sinal, deve ser de cera, novo a cada ano, único, relativamente grande, nunca artificial, para poder recordar que Cristo é a luz do mundo”.
O Círio Pascal deriva de antigos costumes de se iluminar a noite da Páscoa com muitas velas. Os cristãos viram nestas velas simbolizado o Cristo ressuscitado, pois Ele venceu as trevas da morte. Ele é a verdadeira Luz.
Este símbolo evoca a lua cheia de Nisan (símbolo da salvação pascal) e o rito da luz (quando, ao fim da tarde, os hebreus acendiam as lâmpadas), que é uma ação pelo dom da luz. Representa Cristo ressuscitado: vencedor das trevas e da morte (os cravos do círio), Senhor da história (os algarismos), princípio e fim de tudo (Α e Ω), sol que não conhece acaso. É aceso com o fogo novo, produzido em plena escuridão, pois na Páscoa tudo renasce.
Foi a Liturgia Franco-Germanica (GALICANA) quem introduziu as inscrições de Cristo, ontem e hoje, princípio e fim, A e Ω (alfa e ômega). Inscreve-se o algarismo do ano corrente, para realçar que Cristo é o centro da História e a Ele compete o tempo, a eternidade, a glória e o poder pelos séculos.
São impostos ainda, cinco grãos de incenso, numa espécie de cravo de cera vermelha, rezando: "por suas santas chagas (estes são os símbolos delas), suas chagas gloriosas, o Cristo Senhor nos proteja e nos guarde". Há uma explícita referência ao sofrimento, a cruz, a dor, ao mistério da paixão de Cristo.
Inicia-se a “grande procissão Litúrgica” tendo o Círio Pascal como referência e a aclamação “Eis a luz de Cristo” é um memorial da Páscoa. Esta procissão com o círio marca a presença de Cristo ressuscitado no meio do seu povo.
“O círio pascal, colocado junto do ambão ou perto do altar, permaneça aceso ao menos em todas as celebrações litúrgicas mais solenes deste tempo, tanto na missa como nas laudes e vésperas, até ao domingo de Pentecostes. Depois, o círio é conservado com a devida honra no batistério, para acender nele os círios dos neo-
batizados. Na celebração das exéquias o círio pascal seja colocado junto do féretro, para indicar que a morte é para o cristão a sua verdadeira Páscoa”. (Paschalis Sollemnitatis, 99)
Os cinquenta dias que vão do domingo da Ressurreição ao domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria como um só dia festivo, como “o grande domingo”, portanto, a celebração da Páscoa continua durante o tempo pascal, como um período mistagógico.
A mistagogia (guiar ao mistério) é o método e o instrumento que a Igreja primitiva nos deixou para fazer com que os cristãos vivam daquilo que celebram. Este tempo mistagógico para os neo-batizados na Vigília Pascal e para aqueles que renovaram suas promessas batismais servirá como sinal do caminho em direção ao mistério central da nossa Fé, a Ressureição de Cristo.
Os domingos do tempo pascal devem ser considerados como “domingos de Páscoa” e têm precedência sobre qualquer festa do Senhor e qualquer solenidade. As solenidades que coincidem com estes domingos são celebradas no sábado anterior. As festas em honra da Bem-aventurada Virgem Maria ou dos santos, que ocorrem durante a semana, não podem ser transferidas para estes domingos (Paschalis Sollemnitatis, 101)
O domingo de Pentecostes conclui este sagrado período de cinquenta dias, quando se comemora o dom do Espírito Santo derramado sobre os apóstolos, os primórdios da Igreja e o início da sua missão a todos os povos, raças e nações. Recomenda-se a celebração prolongada da missa da vigília, que não tem um caráter batismal como a vigília da Páscoa, mas de oração intensa segundo o exemplo dos apóstolos e discípulos, que perseveravam unânimes em oração juntamente com Maria, a Mãe de Jesus, esperando a vinda do Espírito Santo. (Paschalis Sollemnitatis, 107)
Que o Tempo Pascal renove nosso coração para mergulharmos profundamente no Coração de Jesus, fonte da grande misericórdia divina.
Pe. Maurício Gomes dos Anjos
Diretor Espiritual Arquidiocesano do Apostolado da Oração
Reitor e Pároco do Santuário Sagrado Coração de Jesus
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