Estimados membros do Apostolado da Oração, iniciamos mais um ano com a graça de Deus e alegres por vivenciar um Ano Jubilar da Misericórdia. Estamos na quaresma, um tempo propício para um autoconhecimento e conhecimento mais profundo sobre Deus. Este processo acontece através do silêncio, meditação da Palavra de Deus, jejum, oração e esmola. Se quisermos, iremos conhecendo profundamente nossos dons e defeitos e nos confrontaremos com a vontade de Deus, com seu amor, sua misericórdia e seu projeto para cada um de nós e assim será a grande motivação para nossa conversão.
Neste tempo quaresmal também refletimos sobre a Campanha da Fraternidade que tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade” e como lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). D. Luiz Vilela, arcebispo de Vitória, explica sobre a Campanha deste ano: “A Campanha da Fraternidade é colocada como gesto concreto nesse tempo quaresmal em que nós nos preparamos para a festa da Páscoa. Então o gesto concreto agora que é proposto a todos os cristãos é que nós olhemos a nossa casa comum”. O arcebispo também lembrou que os cuidados com a casa comum estão diretamente ligados ao combate contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como o zika vírus e a dengue. “É importante que cuidando da casa comum, cuidemos do nosso quintal, do nosso apartamento, da nossa casa, combatendo o inseto. Assim a gente estará contribuindo com uma sociedade mais sadia”.
Pela quarta vez, a campanha da fraternidade será realizada de forma ecumênica, entre diversas congregações cristãs. Através do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), elas se reuniram para trabalhar pelo tema. Nos anos 2000, 2005 e 2010, a campanha também foi realizada com diferentes igrejas. Para Dom Luiz: “Todos nós acolhemos o nosso mesmo Jesus, que dá sentido à nossa vida. Então é importante que nós estejamos unidos”.
O tema central da campanha desse ano é o saneamento básico, chamando atenção para o fato de que o Brasil é a sétima maior economia do mundo, mas cerca de 100 milhões de brasileiro ainda vivem sem serviços básicos de saneamento, como tratamento de esgoto e coleta de lixo. De acordo com o arcebispo, o principal motivo desses problemas persistirem é a falta de vontade política. “Eu sei que falta dinheiro, mas vontade política primeiramente, porque isso é fundamental (...) no mundo há um bilhão de pessoas que fazem suas necessidades ao ar livre. Quer dizer é necessário uma vontade política para que as pessoas possam, na sua dignidade, serem respeitadas e possam ter saúde”. Sobre o lema da campanha da fraternidade “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, o arcebispo reafirmou que o direito à saúde deve ser universal, sem distinções. “Nós sabemos a crise que está aí, as filas, o sofrimento de tanta gente, especialmente os mais pobres passam por inúmeras dificuldades. Isso não pode, não é vontade de Deus. Deus quer saúde para todos, agora confiou a todos nós a responsabilidade de distribuirmos a justiça entre todos, não entre alguns”.
Não desperdicemos este tempo para nossa conversão, vivendo as obras de misericórdia como o Papa nos exorta. As corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. E as espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. Termino com uma frase: “A minha fome é meu problema material, a fome do meu irmão é meu problema espiritual”.
Jesus manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso.
Pe. Osmair José Prestes
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